A história

Como isto aconteceu...
Moramos em São Bernardo do Campo e conhecemos o Wilson faz uns 8 meses. É um cara boa praça, que nunca vimos bêbado e que trabalha pintando estas caçambas de sucata que ficam na rua Iguape. Wilson morava em um espécie de tenda nesta mesma rua, até quem algum infeliz, pra não dizer FDP mesmo colocou fogo em suas coisas...O Sr. Bolinha (Dono das caçambas) cedeu esta caçamba para o Wilson enquanto ela não estava em uso para que ele a utilizasse como moradia e é onde ele mora até hoje.

Uma curta história para que tenham idéia de sua personalidade: Certa vez lhe demos uma mochila, conversamos e eu fui pra casa. As duas horas da manhã o telefone tocou...era ele nos avisando que havia deixado um talão de cheques novo, inteiro dentro da mochila.

Em uma conversa com o Wilson agora em novembro ele comentou que a época de natal é complicada pra ele, pois ele parecia um fantasma na rua, se sentia invisível. Ficamos pensando nisto e decidimos que neste ano procurariamos algum projeto para trabalhar como voluntário na noite de natal (Sei lá por qual motivo não imaginamos fazer algo junto com o Wilson ao invés de procurar um projeto para trabalhar onde pudessemos leva-lo. As vezes a resposta está debaixo o nosso nariz e não enxergamos). Ao pesquisar,  notamos que a maioria destas ações solidárias de natal acontecem uma ou duas semanas antes da noite de natal...nada contra, aliás parabéns aos que fazem este trabalho maravilhoso, mas queriamos fazer algo na noite de natal, e não achei nada. Foi aí que surgiu a idéia de fazer um jantar ao lado da caçamba do Wilson, que convidará outros moradores de rua para participar.

Estávamos na dúvida se seria uma boa idéia até conversar com o Wilson e ouvir o seguinte "Muito obrigado! este ano eu não vou chorar. Ano passado fiquei andando por aí e via as pessoas se abraçando nos prédios (Sacadas) enquanto eu estava sozinho na rua... eu não tenho familia né", nesta hora tivemos certeza do que fariamos na noite de natal. A idéia aqui não é dramatizar a situação, mas apenas mostrar que muitas vezes o melhor presente que podemos dar a estas pessoas é uma conversa, um aperto de mão e 10 minutos de atenção.

Quem vier será bem vindo e também recebemos de coração o apoio dos que não podem estar presentes na noite de natal (O que é perfeitamente compreensível), mas que estão nos ajudando emprestando uma mesa, uma cadeira ou simplesmente deixando uma palavra de incentivo aqui no blog.

Abração a todos!

Robson e Carla